Dariele Vega organizadora da caminhada
Comentários críticos a atitude do padre responsável pela Paróquia do
Arcanjo Gabriel em manter a Igreja Matriz fechada durante a mobilização
de mais de 17 mil pessoas, na terça-feira (29/01), em homenagem as
vítimas do incêndio em Santa Maria, geraram grande repercussão na
cidade. A situação ganhou destaque ainda com manifestações do pároco
Emilio Barua numa emissora de rádio, no começo da tarde de
quinta-feira. O padre contestou a organizadora do evento, a acadêmica
Dariele Vega, acusando ela de ter promovido acusações à igreja.
A estudante se defendeu e tentou falar com o padre no mesmo dia, mas acabou não sendo recebida.
As críticas à igreja partiram de pessoas que integram a rede de amigos
da organizadora em sua página no facebook. Por algum motivo, o padre
concluiu que seriam acusações feitas pela estudante. Emílio Barua
chegou a mencionar a possibilidade de acionar judicialmente a
organizadora da caminhada e outros “jovens” que publicaram comentários
na internet.
Insatisfeito com o resultado da repercussão, o pároco atacou a estudante
durante entrevista ao radialista Dagoberto Focaccia, em seu programa do
meio dia, na Rádio Emissora Batovi.
O padre questionou a juventude: “Quando a igreja está aberta, eles não
vão. Ficam bebendo Chopp na esquina”, comentou, alegando que são estes
mesmos jovens que estão cobrando a abertura das portas da igreja.
Barua disse que a caminhada foi desorganizada. No ponto de vista dele,
aconteceram muitas falhas. Ele inclusive usou um diálogo que teve com o
prefeito em exercício (no dia), Evandro Guedes, para justificar a
acusação. Conforme ele, a estudante só conseguiu a “liberação” para
realizar o evento porque houve intervenção de Guedes, pois o comando da
Brigada Militar estava sujeito a negar a autorização.
Mobilizações, deste tipo, são acontecem mediante autorização da prefeitura municipal e Brigada Militar.
A defesa do pároco tem base, principalmente, na falta de aviso prévio
para abertura da igreja. A estudante Dariele Vega admite que o padre
tenha razão, neste ponto. Mas estranha que, da parte dele, venham tantas
acusações, “afinal de contas, eu, em nenhum momento, questionei a
abertura ou não da igreja. As manifestações foram feitas por outras
pessoas”, argumenta.
Dariele não confirma quais serão as medidas tomadas contra o padre, mas
não descarta uma ação judicial por danos morais, ato que o pároco já
admitiu estudar encaminhamento.
Ela lembra que foi chamada pelo padre de “irresponsável e pecadora”.
PADRE ATACA SECRETÁRIO DA SAÚDE
A manifestação não deveria envolver política, mas ao mencionar o
vice-prefeito Evandro Guedes e o secretário da Saúde Daniel Ferroni, o
padre abriu precedente. Ferroni acabou virando alvo de ataques.
Barua chamou o secretário de mentiroso (por causa de manifestação de
Ferroni sobre o episódio). Segundo ele, falta postura de secretário para
o administrador da Secretaria da Saúde de São Gabriel. O padre sugeriu
ao prefeito conversar com “os jovens” que estão no governo, senão eles
vão bagunçar e fazer um governo pior que os outros que passaram.
PADRE ATACA O PADRE
A participação do padre Rubem Dotto, de outra paróquia, mas com
familiares em São Gabriel, também foi motivo de contestações. Barua
disse que Dotto errou. “Ele não poderia presidir reza em frente à
igreja”, alegando que o padre Delmar Rodrigues não teria se negado se
tivesse sido feita uma solicitação. Em seu relato, na emissora, Barua
disse que o padre Rubem Dotto pensa diferente “deles”.
Na internet, através das redes sociais, as manifestações do pároco
causaram uma avalanche de criticas. As manifestações envolveram pessoas
de todas as idades. Alguns sugeriram, inclusive, encaminhamento de
denúncia a Diocese solicitando a transferência do padre.
O procurador jurídico da prefeitura, advogado Guilherme Abib, também
postou um comentário, lembrando fatos ocorridos nos últimos anos.
“Marcio tu é testemunha de que muito tempo atrás já havia te dito que
este padre não condizia aos ensinamentos da Igreja”.
Segundo o advogado, “ele (o padre) numa ocasião negou a comunhão a uma
fiel em frente de todos, sem falar em diversas outros fatos, motivo pelo
qual muitos ministros e fieis não gostam do comportamento dele. Pelo
seu comportamento, acredito que ele deseja enfraquecer a Igreja, humilha
os humildes. Apóio qualquer manifestação que tenha por fim tirar este…
daqui, mas, deixo claro que sou católico atuante e que esta é minha
posição, inclusive já reclamei ao Bispo e muitos outros fieis também já
reclamaram. Ele disse que tem poucos padres e nada pode fazer, ainda que
eu tenha lhe dito que ele acaba por prejudicar a imagem da Igreja”.
A produtora rural, Ana Tereza Chiappetta Teixeira, disse que “ele não é o
dono da Igreja e deveria ser o primeiro a ter compaixão pela dor dos
outros e dar apoio, como fez a “acadêmica” e” o tal secretario”… abrindo
a igreja para acolher no conforto do seu interior as famílias enlutadas
e precisando de uma palavra de acolhimento!”
EM TEMPO: O
padre disse, durante entrevista, que a igreja não foi aberta por que não
houve um pedido oficial com antecedência. Ele alega que não é normal
“tocar” o sino em atos que não sejam festivos.
Ele ainda se referiu ao número de pessoas na caminhada (estimado pela
Brigada Militar em 17 mil). Segundo ele, “como seria possível receber
todo este público? Seria mais uma tragédia”, comentou.
INFORMAÇÃO: A NOTICIA ONLINE